Mostrando postagens com marcador jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jornalismo. Mostrar todas as postagens
...Só com diploma!
Naquela manhã, 80 mil trabalhadores levantaram de suas camas e não foram trabalhar. Naquela manhã, cidadãos do país inteiro estranharam; sentiram-se desesperados com a falta de notícias. Nenhum veículo de Comunicação publicava nada. Naquela manhã, 80 mil trabalhadores mobilizaram-se, pela defesa de um jornalismo melhor.

É claro que esta é uma história que não aconteceu.

Ontem à noite, O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou o recurso que abolia a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão.

Talvez devêssemos ter nos mobilizado mais - a união faz a força, afinal. O fato é que, ao meu ver, o STF fez a maior besteira de todos os tempos. Desvalorizaram completamente universidades, professores, futuros profissionais e a essência da profissão.

Não, não é o fim do mundo. No entanto, quero só ver as repercussões que essa decisão estúpida vai causar. Espero, apenas, que a qualidade do jornalismo não seja prejudicada. Um jornalismo ruim faz uma sociedade ruim.

Para o inferno com o STF e as grandes corporações que, com certeza, foram a lenha, o fósforo e o querosene para incendiar essa enorme fogueira. Jornalista precisa de diploma SIM.
...A profissão certa
Em qualquer área de atuação profissional, existem dias bons e ruins. Às vezes, temos vontade de puxar os cabelos. Outros, passamos o dia todo sorrindo, exultantes em desenvolver cada uma das tarefas que nos são passadas.
Trabalho no Jornal Comunidade, um dos veículos de Comunicação da Feevale, instituição onde estudo. Depois de fazer todas as reportagens, fotos, diagramá-las e mandar o jornal para a impressão, temos de distribuí-lo.
Hoje, levei exemplares para uma das nossas fontes, que me havia concedido uma entrevista para a matéria da contracapa. Deixei o jornal com ela e fui entregar para outra fonte, que estava trabalhando na mesma sala.
Eu estava quase indo embora quando ela me chamou. Virei-me e, para a minha surpresa, lá estava ela, segurando o jornal, olhando para mim com os olhos marejados de lágrimas. Por uma fração de segundo pensei "Oh, não, o que fiz de errado?". Foi quando ela afirmou que estava emocionada com a matéria que eu havia escrito. Que gostou muito da maneira com que organizei as falas dela, sobre o projeto de extensão que coordena, e os fatos que ela havia me passado.
São momentos como esse que me fazem perceber que, às vezes, não fazemos idéia do quanto o nosso trabalho pode afetar uma pessoa, tanto negativa quanto positivamente.
É ótimo ter o trabalho reconhecido, assim. A sensação de escrever uma matéria e vê-la não somente publicada, mas sendo apreciada por outras pessoas é indescritível.
Isso não precisa acontecer somente no jornalismo. Mas é esse tipo de satisfação que nos faz perceber que escolhemos a profissão certa.
Domingos...
Domingo é um dia de descanso, para muitos. Dia de dormir até tarde... sair com a família, ou até ficar em casa... olhar um filminho, talvez?
Talvez. Mas há profissões que não permitem que o domingo seja usado para o descanso. Jornalismo é uma delas.
Gostaria de publicar aqui um trecho de um texto muito inspirador, escrito por Marcelo Rech, jornalista e diretor-geral de Produto do Grupo RBS.

"[A palavra] repórter não descreve apenas a função iniciante de uma redação, mas um estado de espírito. Repórter e sinônimo de inquietação, de saber perguntar e saber ouvir, de humildade e curiosidade sobre tudo o que nos cerca, de paciência e obstinação, de criatividade e fidelidade aos fatos, de ousadia e senso de dever, de sensibilidade com os outros, equilíbrio com as versões e firmeza com os princípios. Ser repórter é ansiar por missões espinhosas, desbravar caminhos nunca percorridos, perscrutar o que se mantém oculto, juntar dados aparentemente desconexos e trazer à luz o que ainda está por se conhecer e por se fazer."
Salvem os canudos!
(Canudos, diplomas, como quiserem chamar.)

Hoje, respondi à uma enquete sobre a desregulamentação da formação jornalística. E... bem, devo dizer que tal atitude seria uma enorme estupidez.

Não é simplesmente pela questão de ter o "canudo" ou não. Muito menos uma questão de divisão social. Mas o jornalismo é uma profissão séria - muito séria. Um jornalista é um comunicador, é o elo entre os acontecimentos e o povo, é um formador de opinião pública. Vamos para a faculdade justamente para aprender como nos tornarmos esse profissional de forma ética, de forma apropriada. E se desregulamentarem a profissão? E se não precisarmos mais termos um título acadêmico para sermos contratados por um veículo de comunicação de massa? Bom, em primeiro lugar, a qualidade das matérias publicadas cairá significativamente.

O jornalismo, bem como todas as outras profissões, exige um conhecimento prévio. Sem a teoria, a prática não existiria.

Devemos valorizar a formação acadêmica. Afinal, se a profissão for desregulamentada, o que vamos fazer? Largar a faculdade e, ainda assim, esperar que sejamos contratados pela RBS ou pela Globo? Acho que não.

Salvem os canudos!

Dura realidade
“Assim que virou a cabeça para o lado oposto ao das janelas, um clarão ofuscante encheu a sala. O medo a paralisou em sua cadeira por um longo momento [...]. Tudo veio abaixo, e a Srta. Sasaki perdeu a consciência”.
Interessante. Parece que o parágrafo acima foi transcrito diretamente de um livro de histórias misteriosas, não é mesmo?
“Hiroshima” é a versão-livro da reportagem de mesmo nome, escrita pelo jornalista John Hersey e publicada em agosto de 1946, numa edição inteira da revista americana The New Yorker. A reportagem é uma narrativa, que conta, através de seis “personagens” – Toshiko Sasaki, funcionária da Fundição de Estanho do Leste da Ásia; Hatsuyo Nakamura, viúva de um alfaiate; Kiyoshi Tanimoto, reverendo; Terufumi Sasaki e Masakazu Fujii, médicos, e Wilhelm Kleinsorge, padre – como a bomba atômica destruiu Hiroshima e arruinou milhares de vidas. Só que palavras como “destruiu” e “arruinou” não são utilizadas no livro de forma julgamental nem sensacionalista. John Hersey foi, verdadeiramente, um artista cuidadoso com as palavras. O autor poderia, simplesmente, ter publicado as entrevistas na tradicional forma “pergunta e resposta”. Com certeza, as falas dos sobreviventes seriam comoventes por si só, mas não tanto quanto o modo como ele optou por utilizá-las.
A história é contada de forma única, coerente e incrivelmente artística, digna de um bom livro de ficção – e aí é que está a grande virada: o livro não conta ficção alguma. As descrições ali escritas foram resultado de entrevistas com sobreviventes da bomba atômica. Nada de fechar o livro, com horror, e pensar “Isso não existe” (como freqüentemente ocorria durante minha leitura das obras de Stephen King, o rei do pânico literário). As pessoas que John Hersey entrevistou e transformou em personagens são reais. Passaram pelas provações contadas no livro. As casas da redondeza realmente ardiam em chamas ao mesmo tempo em que “gotas do tamanho de uma bola de gude”, provenientes de uma mistura condensada de poeira, calor e fragmentos de fissão, caíam do céu, como o jornalista descreve. Com o virar das páginas, minhas sobrancelhas franziam ao ler a descrição de uma cena particularmente chocante. Depois de um ano de relatos científicos e biológicos sobre a explosão, a forma tocante e extremamente humana com que Hersey escreveu as 31.347 palavras que compõem sua reportagem certamente fez os americanos repensarem suas próprias estratégias de guerra.
Disponível nas livrarias e em sites para compra, é uma leitura que realmente vale a pena. Não só especificamente para jornalistas ou estudantes do curso, por se tratar de um exemplo de reportagem, mas para qualquer pessoa que acredite no lado humano de todas as situações e que se perceba olhando para o horizonte com olhos úmidos, se perguntando, de tempos em tempos, por que decisões tão destruidoras ainda são tomadas, se tanto corrompem a alma da humanidade.
Dever cumprido

Como é boa a sensação de dever cumprido, não é?

Aquele alívio momentâneo por ter terminado a tarefa e a felicidade que irrompe no peito quando alguém elogia o trabalho.

Hoje, depois de muito estresse, o Jornal Comunidade, um dos jornais onde trabalho, foi, finalmente, para a prensa. Acompanhamos o processo de pertinho, na Gráfica do Grupo Sinos, vendo aquelas folhas de papel jornal correndo e sendo cortadas e montadas pelas máquinas para que, no final, saia o impresso, todo bonitinho. É bom a gente poder olhar para uma coisa legal, encher o peito e dizer "Fui eu que fiz!".

Na última terça-feira, aliás, apresentamos a peça "O Encontro", no Festival de Esquetes de Novo Hamburgo. Eu cheguei em casa com um sorrisão no rosto e aquele sentimento de dever cumprido. O jornal onde trabalho é um dever, é um trabalho (que, aliás, eu amo de paixão!), mas o teatro é puro lazer. Pura opção. Não é dever, e, ainda assim aquela sensação estava lá. A sensação daquele trabalho bem feito, sabem?

Inicialmente, eu achava que não estávamos prontos. Mas foi demais. Tudo bem que, em uma certa hora, perdemos um pouco o ritmo da peça. Tudo bem que uma ou duas coisinhas que o John falou não deu pra entender. Tudo bem que a direção não foi perfeita. Tudo bem que a Bruninha falou meio baixo, às vezes. Tudo bem que eu esqueci o tapete e o Teilor não achou um patinho amarelo para ser o Pepe. Hoje, novamente, falei com um pessoal e eles elogiaram horrores. Mas sabem o que foi melhor do que ouvir os elogios dele? Ouvir o público rindo. Acho que foi isso que me deu a sensação de "dever cumprido", de fazer uma coisa bem feita e mais - arrancar risos do povo na última apresentação da primeira noite.
Valeu, povo!
Todas as matérias do sensacionalismo

Há umas duas semanas, assisti ao filme Todos os homens do presidente, para a cadeira de Texto Jornalístico, na faculdade. Me fez pensar o quanto o sensacionalismo está presente na imprensa atual. Nelson Traquina, no texto Quem Vigia o Quarto Poder, debate o modo como a mídia dá ênfase às notícias que possamos achar interessantes, não às matérias importantes para nossa formação cultural e ideológica. Comunicadores são, afinal, formadores de opinião. A responsabilidade é grande.
A partir de junho de 1972, Bob Woodward e Carl Bernstein, dois repórteres do jornal americano The Washington Post, procuraram indícios que conectassem a Casa Branca ao caso Watergate (um assalto à sede do Partido Democrata com tentativa de espionagem). E encontraram. Dois anos e muitas reportagens depois, o então presidente Robert Nixon renunciou ao cargo. Todos os homens do presidente (1976), dirigido por Alan J. Pakula, foi inspirado no livro de mesmo título, escrito pelos próprios repórteres cujo trabalho derrubou o 37º presidente dos Estados Unidos. O filme mostra como o determinado Woodward e o racional Bernstein suaram as camisetas listradas para publicar suas matérias. Vencedor de 4 Oscars e indicado a outros tantos, o filme é considerado uma aula de jornalismo. Todo profissional ou estudante deveria assisti-lo – mas com cuidado. Nelson Traquina referiu-se à trama como “Viagra Watergate”, e não foi à toa.
Existem várias questões que, hoje, não seriam abordadas da mesma maneira. Se uma investigação de tamanha importância política ocorresse, Bob e Carl possivelmente não se apresentariam como repórteres – seria perigoso, até. Fiquei surpresa, também, ao não ver representantes do Governo batendo na porta do Washington Post e oferecendo dinheiro para deixar tudo “em off”. Porém, ainda com certa diferença entre a década de 70 e hoje, o jornalismo exibido no filme faz jus a um dos conceitos descritos por Traquina, que é proteger os cidadãos do abuso de poder dos governantes. Aproxima-se muito do que a imprensa atual deveria estar fazendo. Deveria, mas o sensacionalismo é tentador. Aí vem a diferença que Traquina aponta entre o jornalismo como negócio e o jornalismo como serviço público.
Todos os homens do presidente mostra o trabalho de dois repórteres que foram muito felizes em expor a corrupção praticada pelo Governo. Só que, hoje, quem ganha espaço na mídia são os assuntos polêmicos, ao invés de temas importantes como o meio ambiente ou a educação.
Por isso, quando virem assuntos como o caso Isabella serem discutidos incansavelmente pela 97º vez, desliguem a televisão e o rádio, fechem o jornal e vão alugar Todos os homens do presidente. Se não cursam jornalismo, pelo menos assistirão a um exemplo de cinematografia que mostra que, depois de mais de 30 anos, as coisas sérias e dignas de matéria de capa ainda acontecem por debaixo dos panos.